Esse conceito vem sendo desenvolvido pelo Rabino Nilton Bonder. Queria muito escrever sobre isso, pois casa perfeitamente com o Método Kabbalah Pardes. Então, decidi colocar aqui alguns conceitos apresentados pelo rabino na Rio 20 , e em alguns dos seus livros, como a Cabala do Dinheiro e Cabala da Comida. Também não deixa de ser uma homenagem a este grande estudioso a quem admiro muito e a quem tive a honra de ter tido como meu primeiro professor presencial de Kabbalah.
Pergunto a você: de onde vem sua alegria? Ou de onde você tira ou obtém prazer?
Se pararmos para pensar, veremos que nossos momentos mais felizes são quando recebemos um aumento de salário, ou conseguimos um bom emprego, ou ainda quando compramos alguma coisa que há tempo desejávamos...Essa seria na verdade a palavra-chave: a alegria vem quando satisfazemos nossos desejos!
Mas você também já deve ter percebido que, tal qual uma criança mimada, assim que nosso desejo é satisfeito, perdemos o interesse e passamos a almejar outra coisa, e depois outra e mais outra, inesgotavelmente.A questão é que esqueceram de nos falar que o tal do desejo é um poço sem fundo. Nunca se esgota. Mas, então, o que fazer? Uma vez que não aprendemos a ter outras fontes de prazer que não sejam o consumo, o sexo, a comida ou bebidas.
A proposta de fontes de energia alternativas, não é nova. Porém, nunca se falou tanto sobre o tema. Afinal, é urgente que procuremos alternativas que substituam o uso do petróleo, da energia elétrica, de fertilizantes e adubos químicos, entre outros, pois esses recursos, além de finitos, se mostraram onerosos demais para o planeta, por deixarem resíduos, por produzem uma energia "suja".
É como olhar-se no espelho: o que acontece com o planeta acontece conosco.Todos estamos esgotados, e não é exagerado dizer que estamos à beira de um colapso.
O fato é que toda energia oriunda de uma fonte de egoísmo, ou seja, que não vem da partilha, acaba por ser vazia, infrutífera, desprovida de graça. Logo: "perde a graça".
Há uma história preciosa contado por Nilton Bonder, que eu chamo de "Os banquetes". Ele nos conta que a um grande justo foi dada a dádiva de visitar o Céu e o Inferno. Primeiro ele foi levado ao Inferno. Lá, ele ficou maravilhado com a linda mesa posta que encontrou. Havia de tudo que pode haver de melhor para se comer. Contudo, as pessoas ali choravam e gritavam em grande desespero, pois sentiam muita fome. Elas podiam ver, podiam sentir o cheiro maravilhoso, mas não podiam comer. Foi, então, que ele percebeu que as pessoas tinham um defeito: todas elas possuíam os cotovelos voltados para trás, de modo que não conseguiam levar o alimento até a boca. Depois disso, ele foi levado ao Céu. Chegando lá, ele viu uma mesa exatamente idêntica a do Inferno. Contudo, havia muita alegria, todos falavam e cantavam. Ele observou melhor e viu que as pessoas tinham exatamente o mesmo defeito que as pessoas do Inferno: os cotovelos voltados para trás. A diferença no Céu, era que as pessoas se alimentavam umas às outras!
Podemos tirar daí que há duas fontes de energia inesgotáveis.
A primeira tem a ver com a Graça. A mesa está posta. O Universo nos mostra o tempo todo o quanto é próspero e abundante. Por mais dinheiro que se tenha, ninguém pode pagar para o sol surgir toda manhã ou para a chuva cair sobre a terra. Eles fazem parte da Graça. Uma pessoa que vive em estado de graça, vive em perfeita harmonia com o fluxo de entrada e saída do Universo. A graça é a capacidade, ou habilidade, de engajar-se na vida tal qual ela é, Sem querer ou exigir que seja diferente. Simplesmente se é. A cachoeira é, independente de estar na época das chuvas ou de seca. Ela vive pela graça de existir.
A segunda fonte de energia pura está no ato de Servir. O de descobrir o sentido da vida por meio do vínculo. As pessoas que "vivem no céu" descobriram que sendo úteis umas às outras, possibilita que todas usufruam da "mesa posta" do Universo. E, que ao contrário do que se acredita, quanto mais damos, mais temos para dar. O Universo funciona de maneira contrário ao que nos é apregoado.Quanto mais nos damos, mais recebemos. Quanto mais servimos, mais somos servidos. Não como uma moeda de troca, mas porque essa é a lei natural: não pode entrar energia nova, coisas novas, em uma vida que já está tomada, que nunca se esvazia de si.Em outras palavras: dois corpos não podem habitar o mesmo espaço.
A figura central da Kabbalah é a Árvore da Vida. Esse símbolo representa o ato de Compartilhar. É deixarmos de ser como crianças mimadas, que só querem receber somente para si mesmas, para tornarmos como o Criador, termos o desejo de compartilhar cada vez mais.
Nós podemos encontrar sentido na
vida tanto pelo serviço quanto pela graça. E isso não é algo que podemos controlar. Ao contrário do Prazer, que é tudo aquilo
que a gente controla (e a gente está constantemente tentando controlar tudo).Aí a vida perde a graça.
Nas palavras do próprio Rabino, temos que "Saber viver a vida com Graça. Do contrário viveremos uma vida“sem graça”, apática, sem brilho.








