O que é Sucot? O Sucot faz parte das comemorações que inauguram o Novo
Ano Judaico, após os pesados dias de Yom Kipur. É uma época para lembrar o
tempo em que Israel viveu
peregrinando no deserto sob a sombra protetora de D’us. E aí reside a questão:
viveu ou vive? Podemos pensar que, metaforicamente, ainda passamos por desertos
e o Eterno, com sua infinita misericórdia, ainda nos guarda. Mas não falo
disso. Falo de um tempo real. Será que aquele tempo passou? Já não existe mais?
Ou ele continua ressoando em algum lugar do Universo?
E a festa de Sucot é justamente,
o momento de conectarmos com aquele tempo, com aquela energia que não passou,
mas que está acontecendo em algum lugar neste momento. Confuso? Pode parecer,
mas é bom nos acostumarmos com estes conceitos. A questão da infinitude do
tempo, a que chamamos Eternidade é muito mais do que isso. Quando falamos em
Eternidade imaginamos uma linha reta, sem começo nem fim. Mas e se pensarmos
que não existe essa linha reta? Apenas um único ponto no qual tudo existe
simultaneamente? Palavras como Passado ou Futuro desaparecem totalmente. O que
fica é um Presente. Infinitamente mais rico e intenso. Um Presente Glorioso e
Espetacular, tal como no dia da Criação, pois o Dia da Criação não deixou de
existir, não está no passado. Ele está acontecendo neste exato momento. A mesma
intensidade ainda pulsa. Adão ainda vive, as estrelas e os rios estão sendo
formados neste exato momento. Isso para a Kabbalah não é novidade. Só que de
tão real e banal, os místicos raramente pararam para teorizar sobre isso.
Bem, falamos do Tempo, e isso nos
parece até familiar, como máquinas do tempo ou viagens à velocidade da luz. Mas
ainda existe um outro ponto: o Espaço. Falava sobre Sucot, cujo símbolo é a Sucá, ou seja “Cabana”. Construímos cabanas
de acordo com as normas da Torah e por alguns dias vivemos ali. Ali fazemos
nossas orações e comemos sentados próximos ao chão. O que te parece entrar em
uma cabana para poder viajar no tempo e poder se conectar com a energia da
proteção divina no deserto? A Cabana ou Sucá é este lugar sagrado, a nave mãe,
ou o portal, o não-lugar capaz de nos conectar com qualquer um outro lugar. É
de perder o chão! Sim. Pensar no Espaço tão concreto, na terra querida que
pisamos e aceitar que isto aqui não existe, pode parecer demais para nossa
mente! Este é outro ponto também muito conhecido dos mestres da Kabbalah.
Sempre que lia alguma história de
Baal Shem Tov, ela normalmente começava assim: “ E Baal Shem Tov, juntamente
com seus discípulos, tomaram uma carruagem e foram de Medjibur a Vilna, há algumas
semanas de viagem dali...e em poucos minutos estavam em Vilna, pois isso sempre
acontecia nas viagens com o mestre...” Isso me desconcertava. Contudo não havia
qualquer explicação ou estranhamento com relação a este fato por parte do
narrador. Ultrapassar barreiras físicas, grandes distancias, pegar atalhos por
meio de uma carruagem.. nada de anormal...Coisa corriqueira... Nisso imagino o
diálogo de Moisés com seu irmão Arão: “Olha, vou subir ali no monte e vou para
o Céu falar com D’us. Cuida de tudo que logo desço”.
A sucá tem esse papel: o de ser
um portal para além do tempo e do espaço. E, segundo o Zohar, ela possui uma
ligação intrínseca com a Arca de Noé. No mundo há muitos portais físicos para
outras dimensões: Jerusalém, Machu Picho, Triângulo da Bermudas... Mas o que o
Criador quer nos ensinar quando nos manda construir nossa Sucá é que este
portal pode ser criado por nossas próprias mãos, ou seja com nosso próprio esforço
de vencer o Ego e as limitações da nossa mente. Aí, nós não teremos um portal,
nós seremos o próprio Portal. Shabat Shalom!

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