sábado, 7 de setembro de 2013

OS 4 SÁBIOS NO PARDES


O Talmud nos conta que haviam 4 sábios:
1)      Rabi Akiva (mestre de Rabi Shimon bar Yohai)
2)      Ben Azai
3)      Yohanan Ben Zakai
4)      Elisha ben Abouya
Todos eles eram muito amigos e muito sábios. Eles estudavam muito, discutiam e meditavam. Certo dia eles entraram num Pardes, ou seja, num Pomar. O que aconteceu depois foi surpreendente, pois cada qual, teve um destino bem diferente do outro. Os sábio do Talmud costumam se expressar da seguinte forma com relação ao que aconteceu com eles:
1)      Entra e sai.
2)      Entra e não sai.
3)      Não entra, mas sai.
4)      Não entra e não sai.
Muitos ortodoxos se baseiam nessa história para justificar o problema de leigos, néscios e imaturos estudarem a Kabbalah. Eu vou mais longe: isso não acontece apenas com a Kabbalah! Isso acontece no Xamanismo, na Umbanda, no catolicismo, entre os Evangélicos e todos aqueles que buscam o caminho espiritual.
Adentrar no território do sagrado exige muitas qualidades do discípulo: disciplina, firmeza de caráter, amor, humildade. Entre tantas outras! Não basta apenas querer.
Jesus já dizia: “Desde o início dos tempo, o Reino de Deus é tomado por esforço”, Mateus 11:12. E o Reino de Deus não é Pardes? Não é o Paraíso? As pessoas imaginam o Céu, ou o Paraíso, como um local de completo ócio. Onde, uma vez lá dentro, não se precisa fazer mais nada!
O discípulo começa a sua jornada com grande vontade. Desde o instante em que ele tenha tido uma experiência com o Eterno, tenha sentido o vislumbre do seu poder, daí começam os problemas. Vamos entender o porquê observando nossos 4 sábios.
O que significa “Entra e não sai”? Esse foi “Ben Azai”, que ficou louco, segundo  o santo livro. Significa que ele teve uma experiência com o divino, porém sua estrutura emocional, psíquica, não suportou o que viu.
Temos que entender uma coisa: a Kabbalah é um conhecimento por demais abstrato e fora de toda lógica cartesiana, racional. Vc pode se dedicar anos a aprender a Kabbalah, vc pode aprender os nomes das Sephirot, dos anjos, uma infinidade de coisas, sem contudo, nunca ter tido o verdadeiro “Recebimento”. Em outras palavras: sem a dádiva da Kabbalah ter se dado, ou se revelao a você. Por isso muitos ouvem sobre Kabbalah, mas poucos conseguem explicar o que é, e bem menos ainda, conseguem adentrar o Pardes.
Então esse sábio, Ben Azai, chegou a adentrar o Pardes. Porém, não teve estrutura para lidar com Sua Grandeza. Ele se perdeu para sempre naquele outro mundo fantástico. Quantos nós conhecemos que têm uma experiência divina e não conhecem voltar? São os ditos fanáticos. Vamos pensar sobre isso.
O terceiro sábio, Yohanan ben Zakai, não entra e não sai! Mas o Talmud não nos diz que os 4 entraram no Pardes? Na verdade, estamos falando de dimensões diferentes, em níveis diferentes de “entrar”. Este sábio nos dá uma lição de sabedoria e conhecimento próprio. Ele consegue vislumbrar-ver antes- a imensidão do Pardes, reconhece sua frágil estrutura e recua, “Sai antes”. Espero que para se preparar melhor pois reconhece que “não era a sua hora”.
E o quarto sábio, Elisha ben Abouya, não entra e não sai. Esse é o que virou ateu ou herege. O Talmud nos conta que este sábio tinha um nível de compreensão tão elevado, comparado ao próprio Moshe Rabeinu – nosso Moisés.
Vc pode perguntar: “Mas eles não eram sábios?”
Sim. Todos aqueles que buscam religar-se  a algo maior que o mundo da aparência é sábio. Porém o ‘Poder” corrompe até as almas mais ilustres. Por este motivo a Kabbalah esteve oculta por tantos milhares de anos e só agora é chegado tempo dela ser revelada ao mundo.
 E o que aconteceu com o primeiro sábio, Rabi Akiva?
Rabi Akiva, ou Rabbi Akiva Ben Yossef, foi o único que conseguiu fazer a ponte entre o mundo das dimensões superiores e o nosso mundo de quarta dimensão. Dizem que ele era um homem muito simples  era completamente analfabeto até os 4º anos de idade. Um dia uma moça muito rica se apaixonou por ele e ele por ela. Mas ela impôs uma condição para casar-se com ele: Ele teria qu estudar a Torah. Eles se casaram e viveram com muita dificuldade antes que o pai da esposa aceitasse a união e visse o bom caráter do marido da sua filha.

Ela aceitou viver longe dele enquanto ele se dedicava integralmente aos estudos. E ele honrou tamanho sacrifíco se tornando um grande sábio. Teve inúmeros discípulos entre eles Rabbi Shimon Bar Yohai, o  Hashi! O sábio dos sábios! Aceito como o fundador da Kabbalah devido ao seu mérito por ter redigido, entre outras obras importantíssimas, o Zohar.

Akiva é citado no Talmud como "Rosh la-Chachamim" – “Guia para os Sábios”.

2 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. Houve um trocadilho quanto ao terceiro sábio, perante os lemas " não entra, não sai" e "não entra, mas sai". Você repetiu o último lema para descrever o terceiro. Espero ter ajudado. Um Abraço!!!!

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