O conceito de kasher e não-kasher, foi trazido por Moisés como norma aos
judeus do que deveria servir como alimento e do que não deveria. O discernimento entre o que seria
apropriado e bom, do inadequado e impróprio.
Podemos pensar: com
base em quê os alimentos foram classificados em “próprios” e”impróprios”? A tradição
judaica possui códigos de éticas tão avançados, ainda no nosso tempo. São mandamentos de como lidar com respeito às mulheres, funcionários ou superiores, às crianças e até à natureza, que ficamos assombrados com a sua atualidade.
Talvez há
quatro mil anos, não fazia muito sentido pensar no contexto em qual se produziu, ou se preparou, um alimento. Afinal, não existiam agrotóxicos, transgênicos..e o conceito de Ecologia só surgiu há pouco mais
de três décadas!
Há muita especulação sobre o tema. Algumas são bem interessantes. Como a
que diz a cerca dos animais puros e impuros. Claro que não estamos falando que
há animais superiores ou inferiores. A questão é mais delicada. Os animais
considerados “impuros” são os responsáveis pela “limpeza” do seu meio. Como por
exemplo o corvo (tido como animal “impuro”), ele é o responsável pela limpeza do
“Ar”. Do mesmo modo o porco também é considerado impuro, e este seria o “gari” da Terra, e os crustáceos e
peixes com pele, seriam os responsáveis pela “limpeza” das Águas. Se estes animais
desaparecessem do Planeta, o que isso implicaria no meio-ambiente? Hoje sabemos
que o desaparecimento de qualquer espécie, implica em todo um desequilíbrio no
ecossistema. Imagina se ficarmos uma semana sem a coleta de lixo?
Acredito que deu para perceber que a questão é bem mais séria do que um simples dogma!
Como tudo na vida, podemos
extrair daí uma grande lição: não criticar o que não conhecemos. Ou pelo menos, respeitar, pois pode haver uma grande sabedoria por trás de atos considerados “manias”, "tradições" ou "costumes"praticados por outras tradições.
Voltando...
A questão do que é “apropriado”
do “não-apropriado”, ganhou uma dimensão gigantesca nos dias de hoje. Claro que
com um roupagem mais moderna, falamos em o que é “sustentável” e o que "não é sustentável”.
Há ponto de pensarmos em roupas sustentáveis, carros sustentáveis, casas
sustentáveis, e lógico, alimentos sustentáveis!
Kabbalah é recebimento, e será que estamos sendo sustentáveis com este Planeta que recebemos?
O nosso modo de tratar o outro, de lidar com o consumo, os nossos pensamentos e sentimentos são kasher ou não-kasher?
O kabbalista é aquele que sabe que cada ação sua, influi diretamente em todos os mundos. Não apenas no que diz respeito a bens de consumo, mas a atos, pensamentos e emoções. Cada ato de caridade ou misericórdia reverbera para todas as criaturas em ondas de amor e luz.
O kabbalista é aquele que sabe que cada ação sua, influi diretamente em todos os mundos. Não apenas no que diz respeito a bens de consumo, mas a atos, pensamentos e emoções. Cada ato de caridade ou misericórdia reverbera para todas as criaturas em ondas de amor e luz.
No meu primeiro contato com o
judaísmo passei dias atenta a tudo o que levava à boca.O tempo todo me
perguntava : “Isso é kasher ou não-kacher? Foi um grande exercício de estar
consciente a tudo o que consumia.
Essa é a proposta do Método Kabbalah Pardes,
que vê o mundo como um grande quintal, do qual somos recebedores e herdeiros
e, portanto, responsáveis.

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