sábado, 28 de setembro de 2013

Kasher e Não-Kasher- Próprio ou Impróprio


     O conceito de kasher e não-kasher, foi trazido por Moisés como norma aos judeus do que deveria servir como alimento e do que não deveria. O discernimento entre o que seria apropriado e bom, do inadequado e impróprio.
 Podemos pensar: com base em quê os alimentos foram classificados em “próprios” e”impróprios”? A tradição judaica possui códigos de éticas tão avançados, ainda no nosso tempo. São mandamentos de como lidar com respeito às mulheres, funcionários ou superiores, às crianças e até à natureza, que ficamos assombrados com a sua atualidade.
   Talvez há quatro mil anos, não fazia muito sentido pensar no contexto em qual se produziu, ou se preparou, um alimento. Afinal, não existiam agrotóxicos, transgênicos..e o conceito de Ecologia só surgiu há pouco mais de três décadas!
  Há muita especulação sobre o tema. Algumas são bem interessantes. Como a que diz a cerca dos animais puros e impuros. Claro que não estamos falando que há animais superiores ou inferiores. A questão é mais delicada. Os animais considerados “impuros” são os responsáveis pela “limpeza” do seu meio. Como por exemplo o corvo (tido como animal “impuro”), ele é o responsável pela limpeza do “Ar”. Do mesmo modo o porco também é considerado impuro, e este seria o “gari” da Terra, e os crustáceos e peixes com pele, seriam os responsáveis pela “limpeza” das Águas. Se estes animais desaparecessem do Planeta, o que isso implicaria no meio-ambiente? Hoje sabemos que o desaparecimento de qualquer espécie, implica em todo um desequilíbrio no ecossistema. Imagina se ficarmos uma semana sem a coleta de lixo? Acredito que deu para perceber que a questão é bem mais séria do que um simples dogma!
Como tudo na vida, podemos extrair daí uma grande lição: não criticar o que não conhecemos. Ou pelo menos, respeitar, pois pode haver uma grande sabedoria por trás de atos considerados “manias”, "tradições" ou "costumes"praticados por outras tradições.
Voltando...
A questão do que é “apropriado” do “não-apropriado”, ganhou uma dimensão gigantesca nos dias de hoje. Claro que com um roupagem mais moderna, falamos em o que é “sustentável” e o que "não é sustentável”. Há ponto de pensarmos em roupas sustentáveis, carros sustentáveis, casas sustentáveis, e lógico, alimentos sustentáveis!

Kabbalah é recebimento, e será que estamos sendo sustentáveis com este Planeta que recebemos? 
O nosso modo de tratar o outro, de lidar com o consumo, os nossos pensamentos e sentimentos são kasher ou não-kasher?
O kabbalista é aquele que sabe que cada ação sua, influi diretamente em todos os mundos. Não apenas no que diz respeito a bens de consumo, mas a atos, pensamentos e emoções. Cada ato de caridade ou misericórdia reverbera para todas as criaturas em ondas de amor  e luz.

No meu primeiro contato com o judaísmo passei dias atenta a tudo o que levava à boca.O tempo todo me perguntava : “Isso é kasher ou não-kacher? Foi um grande exercício de estar consciente a tudo o que consumia. 
Essa é a proposta do Método Kabbalah Pardes, que vê o mundo como um grande quintal, do qual somos recebedores e herdeiros e, portanto, responsáveis.


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