Era uma vez, há cerca de 200 anos
atrás, na cidade de São Petesburgo, havia uma situação desesperadora na
comunidade judaica. Um jovem noivo, foi feito prisioneiro e seus raptores
exigiam dez mil rublos para soltá-lo. Logo pensamos que talvez ele tivesse
cometido algum delito, ou que tivesse sido sequestrado por ser muito rico, como acontece nos dias atuais. Nenhuma coisa, nem
outra! Naquela época, isso era algo bem comum entre policiais ou autoridades
corruptas: sequestravam um judeu e exigiam resgate! Pois sabiam que a
comunidade faria de tudo, de tudo mesmo, até vender um precioso rolo da Torah,
para salvar a vida de um judeu.
Três destacados estudantes do
Talmud se reuniram para pensar em uma solução. Havia na cidade um judeu muito
rico, porém muito famoso por sua mesquinharia. Ele era conhecido como Ze’ev,
Lobo, e vivia mandando embora quem viesse lhe pedir doações.
O mais novo dos três estudantes, que viria a se tornar o famoso Rabi Shneur Zalman de Liadi, um importante
nome dentro do hassidismo, os outros dois mais velhos: Rabi Levi Isaac de Berdichev e
Rabi Mendel de Vitebsk.
Rabi Zalman insistia para que eles visitassem o velho pão-duro, os outros dois, porém, achavam que era pura perda de tempo, e tempo é algo muito precioso. Então, ele resolveu que iria sozinho. No entando, os outros dois, por solidariedade, decidiram acompanhá-lo. Mas o amigo impôs uma condição: que ficassem totalmente calados!
Rabi Zalman insistia para que eles visitassem o velho pão-duro, os outros dois, porém, achavam que era pura perda de tempo, e tempo é algo muito precioso. Então, ele resolveu que iria sozinho. No entando, os outros dois, por solidariedade, decidiram acompanhá-lo. Mas o amigo impôs uma condição: que ficassem totalmente calados!
No mesmo dia os três se encontraram
na soleira da porta de Ze’ev. Num primeiro momento, este pareceu surpreso, mas
sentiu-se honrado por ter três rabinos à sua porta e convidou-os a entrar.
Acomodaram-se todos na sala de Ze’ev
e Rabi Zalman relatou a Ze’ev a história do judeu sequestrado: Que ele era
muito jovem, órfão e estava com o casamento marcado para dali a uma semana. Ze’ev,
sentiu seus olhos lacrimejarem e compadeceu-se do rapaz. Levando a mão ao
bolso, tirou uma moeda velha e
enferrujada de um kopek – cerca de um centavo. Contudo, ele parecia
muito comovido, como se tivesse contribuindo com uma grande soma. Os dois
estudantes mais velhos se chocaram com tanta mesquinharia, enquanto Rabi
Zalman começou a elogiá-lo e abençoá-lo por tanta generosidade. Fazia-o de todo
coração! Bendizia seus negócios, sua família, seus animais e desejava que ele
fosse agraciado com o amor.
Assim que terminou, foram caminhando à porta, até
saírem da casa de Ze’ev. Quando já estavam na rua, este os chamou de volta e
disse: “Vocês me comoveram enormemente, por isso decidi fazer mais uma
contribuição”. Colocou novamente a mão no bolso e retirou outro kopek, tão
velho, sujo e enferrujado quando o outro. Os rabinos mais velhos se contorceram
por dentro, porém como haviam prometido se calar, não puderam intervir. Mais
uma vez, Rabi Zalman não mediu palavras para abençoar Ze’ev: que ele fosse
próspero em tudo o que fizesse, que suas mãos fossem prósperas, que sua
dispensa fosse sempre cheia, suas vacas produzissem muito leite e suas galinhas
botassem muito ovos...e por aí foi por dez minutos.
Mais uma vez eles se retiraram. Os amigos
não podiam se conter de indignação e Rabi Zalman pediu que se calassem. Ze’ev,
ao vê-los se afastando, sentiu seu coração apertar e chamou-os de volta! Desta vez,
colocou a mão no bolso e retirou um kopek feio e sujo, que depositou nas mãos
de Rabi Zalman. Foi mais uma chuva de bendições! Que ele tivesse uma morte
tranquila, que fosse recebido nos seios do pai Abrahão, que ele tivesse em sua
mesa o melhor que esta terra pudesse produzir e que a sua casa tivesse livre de
todo mal...mais dez minutos.
Uma vez mais alcançaram a rua e
os dois amigos irritados queriam falar. Mas Rabi Zalman pediu que se
aquietassem. Neste instante, escutaram a voz de Ze’ev, chamando-os de volta. Eles
voltaram até a porta e dessa vez Ze’ev anunciou solenemente: “Quero fazer uma
doação importante!”. E deu-lhes uma moeda de um rublo. E Shneur Zaman passou
mais cinco minutos abençoando-o.
Mendel cochichou: : “Uma hora
para conseguir um rublo! Só vamos precisar de dez mil horas para conseguir
resgatar o jovem noivo. Talvez isso leve de quatro a cinco anos!”. Rabi Zalman
sussurrou: “Silêncio”. Quando estavam na soleira da porta, Ze’ev os chamou
novamente, e desta vez lhes deu dez rublos. Alguns minutos mais tarde, foram
cem rublos. Depois quinhentos, depois mil. Por fim, após dezenas de idas e
vindas, ele assinou um cheque com a quantia que faltava.
Os dois rabinos mais velhos
estavam espantados! Tinham levado algumas horas, é bem verdade, porém
agora tinham o valor integral para resgatar o moço. E quando se afastaram, eles
perguntaram: “Como você conseguiu isso? Como você sabia que ele iria dar tanto?”
Rabi Shneur Zalman disse:
“Quando nossos corações estão
cobertos por uma couraça espessa, essa barreira, não só impede que algumas coisas
entrem, mas também impedem que saiam. É impossível retirar a couraça de uma
vez! Então, devemos encontrar um modo de abrir uma frestinha minúscula. Depois disso,
cada pequena abertura de generosidade abre caminho para outra.”
Essa ideia de romper as “cascas”-
KLIPOT- lentamente, serve tanto para caridade, como para o aprendizado, como
para o amor!
Que possamos ter paciência
conosco mesmo, neste caminho de estudo e aprendizagem. Tendo consciência que,
por maior que uma árvore seja, tudo começou com uma pequena semente. Shalom.
(História adaptada do Livro “A Cabala- e a prática do misticismo judaico”,
do Rabino David A. Cooper)

Nenhum comentário:
Postar um comentário