O Talmud nos conta que haviam 4 sábios:
1)
Rabi Akiva (mestre de Rabi Shimon bar Yohai)
2)
Ben Azai
3)
Yohanan Ben Zakai
4)
Elisha ben Abouya
Todos eles eram muito amigos e
muito sábios. Eles estudavam muito, discutiam e meditavam. Certo dia eles
entraram num Pardes, ou seja, num Pomar. O que aconteceu depois foi
surpreendente, pois cada qual, teve um destino bem diferente do outro. Os sábio
do Talmud costumam se expressar da seguinte forma com relação ao que aconteceu
com eles:
1)
Entra e sai.
2)
Entra e não sai.
3)
Não entra, mas sai.
4)
Não entra e não sai.
Muitos ortodoxos se baseiam nessa
história para justificar o problema de leigos, néscios e imaturos estudarem a
Kabbalah. Eu vou mais longe: isso não acontece apenas com a Kabbalah! Isso
acontece no Xamanismo, na Umbanda, no catolicismo, entre os Evangélicos e todos
aqueles que buscam o caminho espiritual.
Adentrar no território do sagrado
exige muitas qualidades do discípulo: disciplina, firmeza de caráter, amor,
humildade. Entre tantas outras! Não basta apenas querer.
Jesus já dizia: “Desde o início
dos tempo, o Reino de Deus é tomado
por esforço”, Mateus 11:12. E o Reino de Deus não é Pardes? Não é o Paraíso? As
pessoas imaginam o Céu, ou o Paraíso, como um local de completo ócio. Onde, uma
vez lá dentro, não se precisa fazer mais nada!
O discípulo começa a sua jornada
com grande vontade. Desde o instante em que ele tenha tido uma experiência com
o Eterno, tenha sentido o vislumbre do seu poder, daí começam os problemas.
Vamos entender o porquê observando nossos 4 sábios.
O que significa “Entra e não
sai”? Esse foi “Ben Azai”, que ficou louco, segundo o santo livro. Significa que ele teve uma
experiência com o divino, porém sua estrutura emocional, psíquica, não suportou
o que viu.
Temos que entender uma coisa: a
Kabbalah é um conhecimento por demais abstrato e fora de toda lógica
cartesiana, racional. Vc pode se dedicar anos a aprender a Kabbalah, vc pode
aprender os nomes das Sephirot, dos anjos, uma infinidade de coisas, sem
contudo, nunca ter tido o verdadeiro “Recebimento”. Em outras palavras: sem a
dádiva da Kabbalah ter se dado, ou se revelao a você. Por isso muitos ouvem
sobre Kabbalah, mas poucos conseguem explicar o que é, e bem menos ainda,
conseguem adentrar o Pardes.
Então esse sábio, Ben Azai,
chegou a adentrar o Pardes. Porém, não teve estrutura para lidar com Sua Grandeza.
Ele se perdeu para sempre naquele outro mundo fantástico. Quantos nós
conhecemos que têm uma experiência divina e não conhecem voltar? São os ditos
fanáticos. Vamos pensar sobre isso.
O terceiro sábio, Yohanan ben
Zakai, não entra e não sai! Mas o Talmud não nos diz que os 4 entraram no
Pardes? Na verdade, estamos falando de dimensões diferentes, em níveis
diferentes de “entrar”. Este sábio nos dá uma lição de sabedoria e conhecimento
próprio. Ele consegue vislumbrar-ver antes- a imensidão do Pardes, reconhece
sua frágil estrutura e recua, “Sai antes”. Espero que para se preparar melhor
pois reconhece que “não era a sua hora”.
E o quarto sábio, Elisha ben
Abouya, não entra e não sai. Esse é o que virou ateu ou herege. O Talmud nos
conta que este sábio tinha um nível de compreensão tão elevado, comparado ao
próprio Moshe Rabeinu – nosso Moisés.
Vc pode perguntar: “Mas eles não
eram sábios?”
Sim. Todos aqueles que buscam religar-se a algo maior que o mundo da aparência é
sábio. Porém o ‘Poder” corrompe até as almas mais ilustres. Por este motivo a
Kabbalah esteve oculta por tantos milhares de anos e só agora é chegado tempo
dela ser revelada ao mundo.
E o que aconteceu com o primeiro sábio, Rabi
Akiva?
Rabi Akiva, ou Rabbi Akiva Ben
Yossef, foi o único que conseguiu fazer a ponte entre o mundo das dimensões
superiores e o nosso mundo de quarta dimensão. Dizem que ele era um homem muito
simples era completamente analfabeto até
os 4º anos de idade. Um dia uma moça muito rica se apaixonou por ele e ele por
ela. Mas ela impôs uma condição para casar-se com ele: Ele teria qu estudar a
Torah. Eles se casaram e viveram com muita dificuldade antes que o pai da
esposa aceitasse a união e visse o bom caráter do marido da sua filha.
Ela aceitou viver longe dele
enquanto ele se dedicava integralmente aos estudos. E ele honrou tamanho
sacrifíco se tornando um grande sábio. Teve inúmeros discípulos entre eles
Rabbi Shimon Bar Yohai, o Hashi! O sábio
dos sábios! Aceito como o fundador da Kabbalah devido ao seu mérito por ter
redigido, entre outras obras importantíssimas, o Zohar.
Akiva
é citado no Talmud como "Rosh la-Chachamim"
– “Guia para os Sábios”.

Este comentário foi removido pelo autor.
ResponderExcluirHouve um trocadilho quanto ao terceiro sábio, perante os lemas " não entra, não sai" e "não entra, mas sai". Você repetiu o último lema para descrever o terceiro. Espero ter ajudado. Um Abraço!!!!
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